Como vimos no programa e nos textos anteriores deste capitulo, a pesca está presente de diversas formas no nosso dia-a-dia, portanto necessita ser observada, percebida, entendida e estudada por diferentes ângulos, com a contribuição de muitos campos do conhecimento. Desta forma, poderemos ter compreensão da multiplicidade e da importância da pesca em nossas vidas.

Um bom ponto de partida para desenvolver um projeto, uma aula ou uma atividade é elaborar perguntas, buscando incentivar a curiosidade e a necessidade de saber e pesquisar mais. Para isso, é necessário formular questões sobre a realidade. Perguntas que permitam o exercício da reflexão, da observação do mundo, do questionamento e formulação de novas perguntas. A relação entre os elementos da Natureza se aprende observando o meio; e esta descoberta permite a construção de novos valores e atitudes.

"Uma capacidade importante a ser desenvolvida nos alunos é a de, ao observar determinado fenômeno, perceber nele relações e fluxos, no espaço e no tempo." ¹

Ao refletir sobre a pesca, observar por exemplo o que o "tio João", personagem do Almir Sater, fala para os meninos neste programa;

"O bom pescador conhece o rio,
sabe onde está o peixe,
o que ele come,
em que época é mais abundante,
qual o seu período de reprodução... é o exercício da observação.
O peixe põe ovos,
que se desenvolvem em alevinos,
crescem até se tornarem peixes adultos,
se reproduzem e põem mais ovos...
...e depois servem de alimento para outras espécies."


O que aconteceria se pescássemos muitos peixes durante sua época de reprodução? Com a interrupção do ciclo de reprodução, em pouco tempo, a espécie tende a desaparecer. E não só ela. Todos os outros animais que dependem diretamente daquela espécie também seriam afetados. É importante saber o habitat e os hábitos dos peixes. Não é só o pescador que tem que conhecê-los; todos os que buscam a preservação do Pantanal também. A preservação do Pantanal e a manutenção dos sistemas biológicos são fundamentais, sobretudo para o povo pantaneiro. Já imaginou quantas pessoas dependem da pesca? Que outros ciclos são apresentados no programa? Como o ser humano participa ou interfere nestes ciclos? Refletir sobre as conseqüências disto a longo e curto prazos. Correlacionar os assuntos do programa e, assim, perceber quão intricada é essa dinâmica, em que muitos ciclos se relacionam, e as conseqüências do rompimento deste equilíbrio.

Esta prática tem como objetivo estimular a percepção dos inter-relacionamentos, criando espaços nos quais professores e alunos possam, como indivíduos, aprender através de experiências concretas.

O processo de aprendizagem iniciado por essas perguntas fica mais rico quando pontuado por ações de registro e reflexão sobre o que se observou e descobriu. "Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim aprendê-lo, transformá-lo, construindo o conhecimento antes ignorado." ²

É importante, ao estimular o registro, incentivar a diversidade de formas de expressão e criar espaços para a socialização das descobertas, opiniões e propostas. Existem várias formas de se registrar utilizando diferentes linguagens (desenhos, maquetes, cartazes, redações, poemas, músicas...). As sugestões que levantaremos podem servir como provocadoras de idéias e caminhos; caberá a cada educador, junto com os alunos e a equipe de trabalho, construir e decidir sobre como conduzir projetos com o tema Pesca.

As propostas que se seguem têm como objetivo a concretização do processo de pesquisa, debates e elaboração de atividades, valorizando o fazer coletivo e a participação dos saberes comunitários. Elas ganham um real valor quando incorporadas a um projeto de trabalho que estabeleça metas e objetivos próprios. Na primeira proposta, apontamos algumas etapas possíveis de encadeamento do trabalho seguindo a metodologia apresentada na primeira parte do Caderno do Professor volume 1. O professor deve estar atento às necessidades e prioridades do grupo, podendo e devendo criar outras atividades e caminhos.

¹ PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1997, vol. Meio Ambiente, p. 59.
² WEFFORT, M. F. "Importância e função do registro escrito, da reflexão". In: Observação, registro e reflexão, instrumentos metodológicos. Espaço Pedagógico, São Paulo, 1996, p. 41. (Série Seminários.)


Etapas após assistir ao programa

Pescaria coletiva com jogo de perguntas
Iniciar o trabalho perguntando aos alunos o que eles viram no programa, quais os temas abordados, suas dúvidas e colocações. Quem lembra das cenas do programa em que aparecem várias aves pescando? As aves pescam todas da mesma forma? Como estas aves pescam? Por que as aves pescam? Qual a relação entre a maneira de pescar e a estrutura física de cada animal? Como o ser humano pesca? Por que o homem pesca? Há semelhança entre os instrumentos e estratégias utilizados pelos animais e pelos homens para pescar? Que peixes encontramos no Pantanal? Quais as suas características? Em que época do ano é permitido pescar? Podemos pescar peixes de qualquer idade? Qual a importância da pescaria para o Pantanal? Quem se lembra da cena do padrinho pescando com os meninos? Eles podiam pescar qualquer peixe? Existiam regras para a pesca? Quais são os instrumentos de pesca proibidos no Pantanal? Por quê? Em que situações o pescador tem que devolver o peixe para a água?

A partir das questões levantadas e outras que podem surgir espontaneamente dos alunos, propor à turma que realize um jogo de pescaria.

Pedir que os alunos escolham um dos peixes apresentados no programa ou alguma outra espécie do Pantanal para realizarem uma pesquisa sobre algumas de suas características: nome da espécie, tamanho, formato, cor, peso... Do que ele se alimenta? Quem é seu predador? Qual seu período de reprodução? Onde podem ser encontrados? Quais são as regras para pescar no Pantanal? Além de informações gerais sobre a pesca.

Em paralelo à pesquisa sobre as características do peixe escolhido, os alunos podem também pesquisar e trazer para a sala de aula materiais para a confecção dos peixes (papel, tinta, sementes, sucata variada, contas, lantejoulas, folhas, gravetos...) e de varas de pescar (sucata, gravetos, linha, barbante, arame...).

Depois que todos tiverem escolhido seus peixes, conversar sobre a maneira de confeccioná-los. O professor e os alunos precisam observar a resistência e adequação dos materiais para montar o seu projeto. É importante conversar sobre a estrutura básica dos peixes. Que material pode dar volume, como realçar as formas com recortes variados, acrescentar outros elementos criados a partir dos materiais pesquisados...

Durante a confecção dos peixes, é importante estar atento ao fato de que eles serão pescados pela turma. O que deve ser feito na montagem para que possam ser pescados? Como montar as varas de pescar? E o anzol?

Colocar todo o material trazido pelos alunos no centro da sala. Eles deverão ser escolhidos na medida das necessidades trazidas pelo processo de construção.

Montar os peixes. Na parte da frente tentar reproduzir as características físicas e no verso escrever três perguntas elaboradas a partir dos dados obtidos na pesquisa inicial.

Pensar sobre o local e a maneira de colocar os peixes no "rio". Eles podem ser colocados em uma caixa grande, com as laterais baixas para permitir uma melhor visualização. A caixa deve ter um pouco de areia, terra ou serragem no fundo para que os peixes possam ficar firmes.

Dividir a turma em grupos de quatro ou cinco alunos.

Decidir que grupo vai começar a brincadeira e qual o critério para definir os próximos grupos.

Cada grupo escolhe o pescador da vez.

O aluno com seu anzol tenta pescar um dos peixes na caixa. Com o peixe nas mãos ele vai ler as perguntas em voz alta, escolher uma delas, e o grupo vai responder. O autor do peixe confirmará se a resposta está correta. Em situação de dúvida, vai ser preciso recorrer à pesquisa original. Caso eles acertem, ficam com o peixe. Vencerá a brincadeira o grupo que tiver mais peixes. Se não souberem responder, o peixe deve ser colocado novamente na caixa.

A turma poderá inventar outras formas de jogar.

A pescaria pode ser feita também de maneira mais simples: colocando os peixes misturados em um saco ou caixa de papelão, o "pescador" de olhos fechados indo até o local e pegando o peixe.

Para o desenvolvimento desta proposta precisamos trabalhar em conjunto com diferentes áreas do conhecimento e articular conceitos e conteúdos de diversas disciplinas. Escolhemos seguir o caminho da pescaria. O professor, junto com o seu grupo, pode escolher e desenvolver outros aspectos da temática.


Outra sugestão

Ouvir e contar histórias de pescaria
Perguntar aos alunos: Quem se lembra da cena em que o menino, que foi visitar o Pantanal, pesca uma sardinha e pede para ser fotografado com seu peixe? Por que será que ele quer uma foto deste momento? Para quem ele vai mostrar esta foto? Como ele vai contar para os amigos sua experiência no Pantanal? Quem já ouviu algum pescador contando histórias sobre um dia de pesca, e como era a história? Você já participou de alguma pescaria? Você conhece alguém que tenha histórias de pescaria para contar? Pesquisar em casa ou na comunidade histórias de pescador, histórias de pescaria.

Perguntar: Aonde eles foram pescar? Como foi a pescaria? Quantos peixes foram pescados? O que aconteceu na viagem? Contar para a turma as histórias que foram ouvidas. Se algum aluno tiver um parente ou amigo pescador poderá convidá-lo para contar suas histórias na sala de aula. Também poderá ser feito um livro que registre histórias coletadas de pescadores ou imaginadas pelos alunos. Depois, cada aluno poderá escrever uma história imaginando-se um pescador.