Como vimos no programa e nos textos anteriores deste capítulo, a fauna está presente de diversas formas no nosso dia-a-dia, portanto necessita ser observada, percebida, entendida e estudada por diferentes ângulos, com a contribuição de muitos campos de conhecimento. Desta forma, poderemos ter compreensão da multiplicidade e da importância da fauna nas nossas vidas.

Um bom ponto de partida para desenvolver um projeto, uma aula ou uma atividade é elaborar perguntas, buscando incentivar a curiosidade e a necessidade de saber e pesquisar mais. Para isso é necessário formular questões sobre a realidade. Perguntas que permitam o exercício da reflexão, da observação do mundo, do questionamento e formulação de novas perguntas. A relação entre os elementos da Natureza se aprende observando o meio, esta descoberta permite a construção de novos valores e atitudes.

"Uma capacidade importante a ser desenvolvida nos alunos é a de, ao observar determinado fenômeno, perceber nele relações e fluxos, no espaço e no tempo." ¹

Ao refletir sobre a vida do jacaré, um dos animais que vimos no programa, observar por exemplo:

O ciclo de vida desse animal:
o ovo,
que gera um filhote de jacaré,
que cresce e se reproduz,
gerando um novo ovo...


Por quantos perigos esse animal passa em cada etapa de sua vida até chegar à fase adulta? Quantos relacionamentos diferentes ele manterá de acordo com suas fases de crescimento? Quando está no ovo pode ser sufocado no ninho ou comido por um quati, filhote pode ser predado por uma ave ou outros jacarés... e quando adulto? Quais são as ameaças à vida de um poderoso jacaré?

Ao assistir no vídeo a seqüência:

animais muito pequenos, que alimentam
um peixinho, que alimenta
um peixão, que é o prato preferido do
jacaré, que é predado pela sucuri...


fica clara a interdependência entre esses animais. Muitas vezes, para o ciclo de um animal se completar, é necessário que outros não se completem. Cada um faz parte desse ciclo, muito mais do que nossos olhos conseguem ver... Você já parou para pensar quantos parasitas e microorganismos se desenvolvem à custa de cada um desses animais? Pois é, nesse caso a sobrevivência de um indivíduo representa a possibilidade de sobrevivência de milhares (milhões) de outros.

Que outros ciclos são apresentados no programa? Como o ser humano participa ou interfere nestes ciclos? Refletir sobre as conseqüências disto a longo e curto prazos. Correlacionar os assuntos do programa e, assim, perceber quão intricada é essa dinâmica, em que muitos ciclos se relacionam, e as conseqüências do rompimento deste equilíbrio.

Esta prática tem como objetivo estimular a percepção dos inter-relacionamentos, criando espaços nos quais professores e alunos possam, como indivíduos, aprender através de experiências concretas.

O processo de aprendizagem iniciado por essas perguntas fica mais rico quando pontuado por ações de registro e reflexão sobre o que se observou e descobriu. "Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim aprendê-lo, transformá-lo, construindo o conhecimento antes ignorado." ²

É importante, ao estimular o registro, incentivar a diversidade de formas de expressão e criar espaços para a socialização das descobertas, opiniões e propostas. Existem várias formas de se registrar utilizando diferentes linguagens (desenhos, maquetes, cartazes, redações, poemas, músicas...). As sugestões que levantaremos podem servir como provocadoras de idéias e caminhos, caberá a cada educador, junto com os alunos e a equipe de trabalho, construir e decidir sobre como conduzir projetos com o tema Fauna pantaneira.

As propostas que se seguem têm como objetivo a concretização do processo de pesquisa, debates e elaboração de atividades, valorizando o fazer coletivo e a participação dos saberes comunitários. Elas ganham um real valor quando incorporadas a um projeto de trabalho que estabeleça metas e objetivos próprios. Na primeira proposta, apontamos algumas etapas possíveis de encadeamento do trabalho seguindo a metodologia apresentada na primeira parte do Caderno do Professor volume 1. O professor deve estar atento às necessidades e prioridades do grupo, podendo e devendo criar outras atividades e caminhos.

¹ PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1997, vol. Meio Ambiente, p. 59.
² WEFFORT, M. F. "Importância e função do registro escrito, da reflexão". In: Observação, registro e reflexão, instrumentos metodológicos. Espaço Pedagógico, São Paulo, 1996, p. 41. (Série Seminários.)


Etapas após assistir ao programa

Animais fantásticos - Apresentação teatral

Iniciar o trabalho perguntando aos alunos o que eles viram no programa, quais os temas abordados, suas dúvidas e colocações. Quais os animais que foram apresentados no vídeo? Que outros animais do Pantanal eles conhecem? (Escrever no quadro-negro, cartolina ou papel pardo o nome dos animais lembrados pelos alunos.) Observar com eles as características físicas destes animais: tamanho, formato, partes do corpo... Quais os hábitos destes animais? Onde eles vivem? Na terra? Na água? No ar? Como eles se locomovem? Como e de que eles se alimentam? Como se reproduzem? Onde dormem? Que sons eles produzem? Com que outros animais eles se relacionam? Que tipo de relacionamento eles estabelecem? Que relação eles estabelecem com os seres humanos e os seres humanos com eles? Existe relação entre a estrutura física destes animais e seu ambiente?

A partir destas observações pedir que cada aluno escolha um animal.

  • Proponha que eles andem pela sala. Peça para que eles lembrem das características dos animais. Que eles tentem representar, com o corpo, o animal escolhido. Como andam? Como se comportam? Que movimentos estes animais realizam ao descansar, caçar, se alimentar? Qual o som que eles emitem? Experimentar interagir com outros "animais" presentes na sala, começando através do olhar. Como eles reagem quando em contato com outros animais? Depois de algum tempo o professor pode pedir para que os alunos troquem de personagem com os colegas. Repetir isso algumas vezes de forma a possibilitar que eles experimentem vários animais.


  • Distribuir para os alunos uma folha de papel em branco. Pedir que eles desenhem um animal composto com partes de diversos bichos, criando animais "fantásticos".


  • A partir dos desenhos realizados propor aos alunos a elaboração do perfil de cada um desses animais por escrito. Criando o nome, características físicas, descrição dos hábitos e relacionamentos.


  • Pedir que cada aluno traga de casa materiais diversos que possam ser utilizados para a confecção de fantasias como: sementes coloridas, gravetos, terra, folhas secas, flores colhidas no chão, casca de tronco de árvore, palha seca, frutos secos e sucata variada (pedaços de espelho, objetos não utilizados, contas de colares, revistas, jornais, papéis, caixas de papelão, embalagens; retalhos com texturas e cores diferentes etc.).


  • Reunir todo o material trazido pelos alunos e pedir que cada um utilize o que for necessário para a confecção de sua fantasia. Durante o processo de confecção, as soluções encontradas no manuseio do material podem ser trocadas entre os alunos.


  • Pedir que cada aluno experimente sua fantasia e vivencie o andar, os comportamentos criados para este animal, e pense em que ambiente estes animais estariam.


  • Dividir a turma em grupos de aproximadamente cinco alunos e propor que cada grupo elabore uma história que tenha os animais "fantásticos" como personagens, para ser encenada.


  • Ensaiar as cenas, observando se existe algum elemento a ser confeccionado para auxiliar a ambientação.


  • Criar os elementos necessários.


  • Apresentar as cenas para os outros grupos.


  • Rever com toda a turma o que cada grupo poderia modificar na forma de interpretar sua história de forma a torná-la mais clara, caracterizando melhor os personagens, o meio em que vivem etc. Os grupos, se quiserem, podem retrabalhar as encenações a partir das observações dos colegas e mostrá-las às outras turmas da escola.


  • A apresentação para toda a escola pode ser acompanhada de uma exposição dos desenhos, dos perfis dos animais "fantásticos" e da documentação do processo de trabalho.


Para o desenvolvimento desta proposta precisamos trabalhar em conjunto com diferentes áreas do conhecimento e articular conceitos e conteúdos de diversas disciplinas. Escolhemos seguir um caminho, a observação dos animais, suas características, comportamentos, hábitos, as interações entre os animais e o meio. O professor, junto com o seu grupo, pode escolher desenvolver outros aspectos da temática.


Outra sugestão

Composição de uma música ou história acumulativa sonorizada
Perguntar: Quem lembra da cena em que aparece no programa um jacaré de boca aberta no rio? O que ele estava fazendo? O que ele estava comendo? O que estavam fazendo os peixes nadando contra a correnteza? Qual o alimento dos peixes pequenos? Que animal se alimenta dos peixes pequenos? E este animal serve de alimento para que outro?

Lembrar da música que começou a tocar quando o menino pantaneiro e o primo voltaram a pé porque os cavalos tinham fugido. "Cadê meu caminho, a água levou / Cadê meu rastro, a chuva apagou / E a minha casa, o rio carregou...". Observar as semelhanças com aqueles versos que dizem: "Cadê o toucinho que estava aqui? O gato comeu. E cadê o gato? Foi pro mato. Cadê o mato/ O fogo queimou. Cadê o fogo? A água apagou. E cadê a água? O boi bebeu. E cadê o boi?" ...

O professor pode propor aos alunos brincar um pouco com a música e as imagens já citadas no programa: Cadê o peixinho que estava aqui? O peixe comeu. E cadê o peixe? O jacaré comeu. E cadê o jacaré que estava aqui? Foi pro mato. E quem ele encontrou no mato? A surucucu. E cadê a surucucu? Depois propor à turma que brinque com esta seqüência rítmica acrescentando outros animais, seus hábitos e relacionamentos. Em seguida, a turma poderá repetir a seqüência criada pelo grupo como uma história acumulativa. Na medida que a brincadeira vá evoluindo, dividir a turma em dois grupos. Um grupo poderá falar, recitar ou cantar a história desenvolvida, enquanto que o outro grupo irá sonorizar a história. Estes sons podem ser os sons dos animais, sons do ambiente, sons que comentem as ações de maneira dramática. A turma pode combinar regras como: agora só poderemos fazer sons dos próprios animais, agora sons misturados... Lembrar de outras músicas e cantigas que tenham essa estrutura acumulativa e cíclica. As músicas ou histórias criadas e sonorizadas podem ser apresentadas para outras turmas.