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Um bom ponto de partida para desenvolver um projeto, uma aula ou uma atividade é elaborar perguntas, buscando incentivar a curiosidade e a necessidade de saber e pesquisar mais. Para isso é necessário formular questões sobre a realidade. Perguntas que permitam o exercício da reflexão, da observação do mundo, do questionamento e formulação de novas perguntas. A relação entre os elementos da Natureza se aprende observando o meio; esta descoberta permite a construção de novos valores e atitudes. "Uma capacidade importante a ser desenvolvida nos alunos é a de, ao observar determinado fenômeno, perceber nele relações e fluxos, no espaço e no tempo." ¹ Por exemplo, ao observar os ciclos econômicos do Pantanal, mencionados no vídeo, perguntar-se: como eles se relacionam? Os índios, primeiros habitantes do Pantanal, praticavam pesca e agricultura de subsistência, os bandeirantes chegaram em busca de escravos e riquezas minerais, os que ficaram daqueles tempos investiram na cana-de-açúcar, com o declínio do açúcar, teve início o ciclo das charqueadas, que foi substituído pela criação de gado. A pecuária é, hoje, o elemento mais importante da economia pantaneira. A economia pantaneira é reflexo de todos os ciclos do passado, que, aliado ao ecoturismo, forma hoje um novo ciclo. Como vimos, a economia pantaneira incorporou elementos das diversas culturas que chegaram ao Pantanal. O que determina o crescimento de uma atividade econômica? Quais os fatores que contribuíram para o desenvolvimento dos ciclos econômicos do Pantanal? Por que as atividades econômicas principais de cada ciclo foram substituídas? Quais os fatores que determinaram o declínio de cada um dos ciclos? A pecuária da região do Pantanal já chegou a representar 90% de toda a carne consumida no Brasil, e hoje não passa de 6%. Que impacto isso representou para a região? Hoje, o ecoturismo é uma importante alternativa para a economia pantaneira. Muita gente depende dessa nova atividade econômica. Como está sendo a adaptação a essa atividade? O ecoturismo alia desenvolvimento econômico à preservação do meio ambiente, permitindo que a população local encontre opções para a sobrevivência. História, cultura e economia são elementos indissociáveis e fundamentais para entendermos a vida e o povo de um lugar. Refletir sobre as conseqüências da interação entre os diversos ciclos econômicos a longo e curto prazos. Correlacionar os assuntos do programa e, assim, perceber quão intricada é essa dinâmica, em que muitos ciclos e economias se relacionam. Esta prática tem como objetivo estimular a percepção dos inter-relacionamentos, criando espaços nos quais professores e alunos possam, como indivíduos, aprender através de experiências concretas. O processo de aprendizagem iniciado por essas perguntas fica mais rico quando pontuado por ações de registro e reflexão sobre o que se observou e descobriu. "Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim aprendê-lo, transformá-lo, construindo o conhecimento antes ignorado." ² É importante, ao estimular o registro, incentivar a diversidade de formas de expressão e criar espaços para a socialização das descobertas, opiniões e propostas. Existem várias formas de se registrar utilizando diferentes linguagens (desenhos, maquetes, cartazes, redações, poemas, músicas...). As sugestões que levantaremos podem servir como provocadoras de idéias e caminhos, caberá a cada educador, junto com os alunos e a equipe de trabalho, construir e decidir sobre como conduzir projetos com o tema Economia. As propostas que seguem têm como objetivo a concretização do processo de pesquisa, debates e elaboração de atividades, valorizando o fazer coletivo e a participação dos saberes comunitários. Elas ganham um real valor quando incorporadas a um projeto de trabalho que estabeleça metas e objetivos próprios. Na primeira proposta, apontamos algumas etapas possíveis de encadeamento do trabalho seguindo a metodologia apresentada na primeira parte do Caderno do Professor volume1. O professor deve estar atento às necessidades e prioridades do grupo, podendo e devendo criar outras atividades e caminhos. ¹ PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1997, vol. Meio Ambiente, p. 59. ² WEFFORT, M. F. "Importância e função do registro escrito, da reflexão". In: Observação, registro e reflexão, instrumentos metodológicos. Espaço Pedagógico, São Paulo, 1996, p. 41. (Série Seminários.) Etapas após assistir ao programa Bazar Cultural Iniciar o trabalho perguntando aos alunos o que eles viram no programa, quais os temas abordados, suas dúvidas e colocações. O professor pode enriquecer o debate com questões tais como: A economia está presente na nossa vida? De que forma? (Escrever no quadro-negro, cartolina ou papel pardo as idéias dos alunos.) Quem se lembra da comitiva que apareceu no programa? Quais são os vários papéis nesta comitiva? E numa fazenda, como são divididos esses papéis? Quais as inter-relações nos papéis e responsabilidades assumidos pelas pessoas que freqüentam a sua escola? E na sua família? Que ofícios existiam na sua família ou na sua região e por que alguns destes ofícios não existem mais? E no trabalho de seus pais? Qual a função de seus pais no trabalho? Eles produzem algo em casa? Estes produtos são comercializados? Como é a feitura? Qual a matéria-prima utilizada? Para que são feitos? Para onde vão os produtos? Qual o retorno? Se for um produto produzido no trabalho, como este retorno é distribuído? Propor à turma a montagem de um bazar com várias barracas temáticas. Perguntar à turma o que é um bazar. Quem já participou de um bazar? Pedir que alguns alunos descrevam um bazar que tenham visitado ou participado como comerciante. Como são os comerciantes de um bazar? E os visitantes? A partir das pesquisas trazidas pelos alunos, discutir que temas podem ser escolhidos para as barracas do bazar, lembrando dos sistemas de papéis de uma fazenda, comitiva ou determinados ofícios etc. Outras possibilidades de temas são os ofícios de hoje e de ontem, os produtos produzidos pelos pais e familiares e a possibilidade de também os alunos fabricarem e venderem alguns produtos ensinados pelos pais - como doces, brinquedos, roupas, objetos artísticos etc. Os temas escolhidos poderão ser representados através de formas diversas como livros, álbuns fotográficos, produtos feitos pelos pais, produtos feitos pelos alunos etc. Dividir a turma em grupos que se responsabilizem pelas barracas temáticas. Estudar a estrutura do bazar. Como cada barraca será construída? Qual será a sua forma? Que materiais serão utilizados e como poderão utilizá-los? Neste momento, o aluno poderá convidar um parente ou amigo que trabalhe com madeira. Também podem pesquisar outros materiais, como caixas de papelão sobrepostas em uma estrutura rígida e firme etc. A turma deverá pensar na plasticidade das barracas. Como enfeitá-las? Neste momento, alguns familiares podem ser convidados para ensinar à turma a fazer bandeirolas, flores de papel, lanternas etc. Se algum familiar for violeiro ou tocar algum outro instrumento, este poderá ser um momento para convidá-lo para realizar uma apresentação aos visitantes do bazar. Caso haja mais de um músico, os alunos deverão estruturar um horário para cada um ou ensaiar uma dupla, trio ou até mesmo um grupo musical de familiares de alunos. Para animar o bazar, os alunos poderão fazer uma dramatização curta que ilustre uma situação para alguns desses ofícios pesquisados em várias épocas. O grupo que se responsabilizar pela dramatização deverá pensar em situações curtas que ilustrem cada ofício tratado e as diferenças entre várias épocas. Depois de escrever os textos, estes deverão ser reescritos através de diálogos entre os personagens. Então os alunos dividirão os personagens e ensaiarão as cenas. É interessante pensar no figurino usado, na caracterização para que os alunos pareçam ter o tipo físico do personagem, na voz, na postura corporal, na relação com o espaço, em algum elemento cênico que seja necessário etc. Criar um convite para enviar aos amigos e familiares chamando para a grande festa que será realizada na escola através de um bazar cultural. A arrecadação feita com a venda dos produtos poderá ser utilizada para que seja atendida alguma necessidade dos alunos na escola. Para o desenvolvimento desta proposta precisamos trabalhar em conjunto com diferentes áreas do conhecimento e articular conceitos e conteúdos de diversas disciplinas. Escolhemos seguir um caminho, o da feitura de um bazar. Cada grupo poderia desenvolver um dos outros aspectos citados pelos alunos como resposta à primeira pergunta: "A economia está presente em nossa vida de que forma? Lembrar que os produtos finais devem estar ligados ao tema." Outra sugestão Caça ao tesouro Perguntar: Quem lembra da cena do programa em que se fala que os bandeirantes foram para o Pantanal em busca de riquezas? Que riquezas eram estas? O que são riquezas? Quais as riquezas do Pantanal? É preciso entender que riquezas não são apenas os bens materiais, que têm valor de troca, como ouro, pedras preciosas... Mas, também, todos os bens naturais, a água pura de um rio, as aves, os peixes, o ar... Quais as suas riquezas? O que é importante e tem valor para você? O que é um tesouro? O que você guardaria como um tesouro? Propor à turma que cada aluno construa seu tesouro. Os alunos poderão desenhar ou construir miniaturas de objetos, animais, plantas e o que mais a imaginação desejar. É importante refletir com os alunos que existem qualidades e atitudes que também são tesouros; a amizade, o companheirismo, o cuidado, a atenção, a paz. Para representar estes valores, fazer cartões, ou escrever estas palavras e recortá-las. Depois de todos os tesouros construídos, pedir que cada aluno fale sobre suas riquezas. Fazer um grande baú para guardar o tesouro da turma. Dividir a turma em grupos e propor que eles brinquem de caça ao tesouro. Pedir que façam um mapa e escondam o tesouro. O outro grupo terá que achar o baú. Este mapa poderá ser feito utilizando os espaços comuns da escola. É importante que todos os alunos participem juntos, um ajudando o outro. |
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