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Um bom ponto de partida para desenvolver um projeto, uma aula ou uma atividade é elaborar perguntas, buscando incentivar a curiosidade e a necessidade de saber e pesquisar mais. Para isso é necessário formular questões sobre a realidade. Perguntas que permitam o exercício da reflexão, da observação do mundo, do questionamento e formulação de novas perguntas. A relação entre os elementos da Natureza se aprende observando o meio; e esta descoberta permite a construção de novos valores e atitudes. "Uma capacidade importante a ser desenvolvida nos alunos é a de, ao observar determinado fenômeno, perceber nele relações e fluxos, no espaço e no tempo." ¹ Por exemplo, ao observar os ritmos e as danças pantaneiras apresentadas no vídeo, perguntar-se de onde vêm, por quem foram trazidas e como se transformaram. A música pantaneira tem origem indígena, incorporou sons e instrumentos trazidos pelos bandeirantes, os lamentos dos negros escravos africanos, o espanhol dos paraguaios, a gaita dos gaúchos. A música pantaneira possui características próprias? No programa vimos que até mesmo os materiais usados na construção da viola-de-cocho mudaram. As cordas eram feitas de tripas de macaco. E agora como são feitas? Quais são as madeiras utilizadas em sua confecção? Será que isso alterou o som do instrumento? Que elementos a música pantaneira absorveu de cada um dos povos que passaram a fazer parte de sua cultura? E as danças? Será que as danças mostradas seguem as originais? Será que todos os passos são iguais? E as festas? E a culinária? Como um grupo cultural pode se adaptar a uma região diferente da sua original? Como podemos fazer uma receita sem os ingredientes com os quais ela foi criada? As adaptações levam tempo. História, cultura e economia são elementos indissociáveis e fundamentais para entendermos a vida e o povo de um lugar. Refletir sobre as conseqüências da interação entre as diversas culturas a longo e curto prazos. Correlacionar os assuntos do programa e, assim, perceber quão intricada é essa dinâmica, em que muitas culturas se relacionam. Esta prática tem como objetivo estimular a percepção dos inter-relacionamentos, criando espaços nos quais professores e alunos possam, como indivíduos, aprender através de experiências concretas. O processo de aprendizagem iniciado por essas perguntas fica mais rico quando pontuado por ações de registro e reflexão sobre o que se observou e descobriu. "Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim aprendê-lo, transformá-lo, construindo o conhecimento antes ignorado." ² É importante, ao estimular o registro, incentivar a diversidade de formas de expressão e criar espaços para a socialização das descobertas, opiniões e propostas. Existem várias formas de se registrar utilizando diferentes linguagens (desenhos, maquetes, cartazes, redações, poemas, músicas...). As sugestões que levantaremos podem servir como provocadoras de idéias e caminhos, caberá a cada educador, junto com os alunos e a equipe de trabalho, construir e decidir sobre como conduzir projetos com o tema Cultura pantaneira. As propostas que se seguem têm como objetivo a concretização do processo de pesquisa, debates e elaboração de atividades, valorizando o fazer coletivo e a participação dos saberes comunitários. Elas ganham um real valor quando incorporadas a um projeto de trabalho que estabeleça metas e objetivos próprios. Na primeira proposta, apontamos algumas etapas possíveis de encadeamento do trabalho seguindo a metodologia apresentada na primeira parte do Caderno do Professor volume 1. O professor deve estar atento às necessidades e prioridades do grupo, podendo e devendo criar outras atividades e caminhos. ¹ PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1997, vol. Meio Ambiente, p. 59. ² WEFFORT, M. F. "Importância e função do registro escrito, da reflexão". In: Observação, registro e reflexão, instrumentos metodológicos. Espaço Pedagógico, São Paulo, 1996, p. 41. (Série Seminários.) Etapas após assistir ao programa Sarau de lendas Iniciar o trabalho perguntando aos alunos o que eles viram no programa, quais os temas abordados, suas dúvidas e colocações. O professor pode enriquecer o debate com questões tais como: Quem lembra da cena do programa em que o locutor explica que "um aspecto marcante da cultura pantaneira está nas lendas, nos mitos, nas histórias, nos 'causos' relacionados com a água - o símbolo mais forte da região. A lenda do Minhocão ou Minhocuçu é o mito mais forte da região". Vamos tentar lembrar da história. (Escrever no quadro-negro, cartolina ou papel pardo as idéias dos alunos.) Qual era a forma do Minhocuçu? Onde ele vive? O que ele faz? Quem já ouviu falar no Saci? E no Lobisomem? Que outros seres fantásticos vocês conhecem? Quem lembra da cena do programa em que o menino pantaneiro fala sobre a lenda do Caboclo d'água? Como é a lenda? Quem já ouviu falar no Caboclo d'água? Por que o menino lembrou da lenda quando viu a ariranha? Por que será que o menino diz que ela é parecida com a lenda da Mãe d'água? Vocês conhecem outras lendas com personagens que vivem nas águas? Quem conhece outras histórias com personagens fantásticos? Será que em outros lugares do Brasil existem outras lendas? Como poderíamos conhecer estas lendas? Como estas lendas estão presentes em nossas vidas? Propor à turma que cada aluno entreviste familiares, amigos, pessoas idosas, trabalhadores da região, pedindo que contem histórias que tragam esses seres, fenômenos e situações de estranhamento. Pedir que tragam as lendas colhidas para a sala e as apresentem de maneira informal para os colegas. Cada aluno escolhe uma lenda e prepara uma performance para apresentar a história para a turma. Caso haja mais de um aluno falando sobre a mesma lenda, é importante valorizar as diferenças entre as versões. As performances podem variar em grau de complexidade, dependendo da disponibilidade e interesse do grupo. Os alunos podem escrever a história em uma folha de papel e ler para o grupo. Ensaiar e decorar o texto e recitá-lo. Escolher um dos personagens da história e elaborar um figurino para a apresentação. Escolher uma música para compor a trilha sonora. E diversos outros recursos a serem pensados pelo professor e alunos. Organizar um libreto com as histórias a serem apresentadas. O libreto funciona como um programa resumido da apresentação. Nele deve constar a ordem de apresentação dos alunos, os títulos da performance, um resumo das histórias, nome dos participantes, data e local da apresentação. Para fazer o libreto, a turma, junto com o professor, deverá explorar vários formatos para a montagem de livros artesanais, como juntar as páginas - através de perfurações, costura, colagem... Valorizar as várias possibilidades e reforçar a importância do acabamento. Os alunos podem fazer desenhos que ilustrem as histórias. Pensar na estética do libreto, nas cores das páginas, se cada página tem moldura e como fazê-la, se o fundo da página é liso, se o desenho aparece sozinho numa página ou junto ao texto etc. Fazer a capa do libreto. Que tipo de papel usar e que ilustração fazer para o tema geral: lendas. Organizar a apresentação do sarau. Definir o local da apresentação, o horário, convidados (entrevistados, outras turmas, funcionários da escola, familiares...). Para o desenvolvimento desta proposta precisamos trabalhar em conjunto com diferentes áreas do conhecimento e articular conceitos e conteúdos de diversas disciplinas. Escolhemos seguir um caminho, o das lendas. Cada grupo poderia desenvolver um dos outros aspectos ligados ao tema do programa. Lembrar que os produtos finais devem estar ligados ao tema. Outra sugestão Trovadores Perguntar: Quem se lembra da cena do programa onde os meninos fazem uma trova a partir das pinturas que estão vendo? O menino do Pantanal propõe ao primo que eles façam uma trova, como de costume na região. "Eu digo uma frase e você diz outra." A trova deles ficou assim: Pantanal, festa da bicharada. Menos quando tem boiada. Os homens também festejam o casamento até o dia amanhecer no porto de Corumbá. O rio é margeado de peixes. Terra de muita pesca. De paisagens com canoa. E coisas do chão. Refletir com eles quais são os elementos da cultura pantaneira. Os elementos da cultura pantaneira são apenas aqueles produzidos no Pantanal? Que elementos de outras regiões fazem parte da cultura pantaneira? Os hábitos pantaneiros são influenciados por hábitos de outras regiões? De que forma os objetos e hábitos de uma cultura são apropriados e transformados quando levados para outras regiões? O que acontece quando duas culturas se encontram? De que maneira uma cultura pode influenciar outra? Como os elementos naturais influenciam determinadas transformações culturais? Propor aos alunos que cada um traga um elemento que esteja relacionado à cultura pantaneira. Distribuir estes objetos no chão, dividir a turma em grupos e pedir para eles improvisarem uma trova. Depois os grupos poderão montar um recital para apresentar as trovas para os outros alunos. Durante os ensaios, dirigir a atenção para o ritmo comum, as pausas, a intenção emotiva etc. Os alunos podem definir o momento em que cada um falará seu verso e os momentos em que eles falarão juntos, sem quebrar a unidade da trova. |
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