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Um bom ponto de partida para desenvolver um projeto, uma aula ou uma atividade é elaborar perguntas, buscando incentivar a curiosidade e a necessidade de saber e pesquisar mais. Para isso é necessário formular questões sobre a realidade. Perguntas que permitam o exercício da reflexão, da observação do mundo, do questionamento e formulação de novas perguntas. A relação entre os elementos da Natureza se aprende observando o meio, e esta descoberta permite a construção de novos valores e atitudes. "Uma capacidade importante a ser desenvolvida nos alunos é a de, ao observar determinado fenômeno, perceber nele relações e fluxos, no espaço e no tempo." ¹ Por exemplo, ao observar a chuva que cai, perguntar-se de onde vem, por onde passou e até onde chegará? A sobrevivência das espécies depende do ciclo da água: A chuva que cai, é absorvida por uma planta, que alimenta um veado, que alimenta uma onça, que transpira de tanto correr atrás da presa, e aquela gotinha evapora, vira nuvem, e cai de novo, fazendo parte de inúmeros outros ciclos, eternamente... Vimos no programa como o Pantanal é dinâmico, com duas estações bem marcadas: a da seca e a da cheia. Esse processo rege tudo ao redor. O que muda com a subida das águas? E quando as águas voltam a baixar? Como o regime das águas influencia as plantas, os animais e a vida dos pantaneiros? A época seca será influenciada pelo que for deixado pela época cheia, e vice-versa... Uma estação depende da outra. Você já parou para pensar o que acontece em um ano particularmente seco? Muitas espécies têm seu ciclo de vida modificado por causa disso. Se chover demais, é capaz de aquela cigarra que vimos no programa não conseguir sair do fundo da terra para se transformar em adulto e cantar... Além desse ciclo, de que outros ciclos a água faz parte? Que outros organismos dependem da água para completar seus ciclos? Que outros ciclos são apresentados no programa? Como o ser humano participa ou interfere nestes ciclos? Refletir sobre as conseqüências disto a longo e curto prazos. Correlacionar os assuntos do programa e, assim, perceber quão intricada é essa dinâmica, em que muitos ciclos se relacionam, e as conseqüências do rompimento deste equilíbrio. Esta prática tem como objetivo estimular a percepção dos inter-relacionamentos, criando espaços nos quais professores e alunos possam, como indivíduos, aprender através de experiências concretas. O processo de aprendizagem iniciado por essas perguntas fica mais rico quando pontuado por ações de registro e reflexão sobre o que se observou e descobriu. "Mediados por nossos registros armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim aprendê-lo, transformá-lo, construindo o conhecimento antes ignorado." ² É importante, ao estimular o registro, incentivar a diversidade de formas de expressão e criar espaços para a socialização das descobertas, opiniões e propostas. Existem várias formas de se registrar utilizando diferentes linguagens (desenhos, maquetes, cartazes, redações, poemas, músicas...). As sugestões que levantaremos podem servir como provocadoras de idéias e caminhos, caberá a cada educador, junto com os alunos e a equipe de trabalho, construir e decidir sobre como conduzir projetos com o tema Águas do Pantanal. As propostas que se seguem têm como objetivo a concretização do processo de pesquisa, debates e elaboração de atividades, valorizando o fazer coletivo e a participação dos saberes comunitários. Elas ganham um real valor quando incorporadas a um projeto de trabalho que estabeleça metas e objetivos próprios. Na primeira proposta, apontamos algumas etapas possíveis de encadeamento do trabalho seguindo a metodologia apresentada na primeira parte do Caderno do Professor volume 1. O professor deve estar atento às necessidades e prioridades do grupo, podendo e devendo criar outras atividades e caminhos. ¹ PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1997, vol. Meio Ambiente, p. 59. ² WEFFORT, M. F. "Importância e função do registro escrito, da reflexão". In: Observação, registro e reflexão, instrumentos metodológicos. Espaço Pedagógico, São Paulo, 1996, p. 41. (Série Seminários.) Etapas após assistir ao programa Experiências e debate sobre "Os usos da água" no cotidiano Iniciar o trabalho perguntando aos alunos o que eles viram no programa, quais os temas abordados, suas dúvidas e colocações. O professor pode enriquecer o debate com questões tais como: A água está presente na nossa vida de que forma? (Escrever no quadro-negro, cartolina ou papel pardo as idéias dos alunos.) Vocês lembram da imagem do programa em que aparece um rio visto de cima, com um desenho sinuoso muito bonito? De onde vêm os rios? Para onde vão? Onde eles nascem? Onde vão desaguar? Por onde passa o rio em sua trajetória? Por que é importante preservar as nascentes? Qual a importância da água para a vida? Como modificamos a qualidade das águas? O que são recursos hídricos? Por que o programa fala em desrespeito aos recursos hídricos? Como a água chega até a sua casa? Qual é este percurso? O que acontece com a água neste percurso? É preciso algum tratamento para torná-la potável? O tipo de atividade econômica realizada nas proximidades interfere na vida dos rios? Em quê o mapeamento dos recursos hídricos de uma região pode ser útil? Como podemos mapear o percurso da água até chegar em nossas torneiras?
Quanta água você gasta por dia? Como podemos medir isso? Bolar métodos para medir uso a uso em casa (banho, escovar os dentes, beber, cozinhar, limpar o carro etc.) e depois somar tudo para ver o quanto dá... E todos na turma, quanto gastamos? Calcular. Que outros usos temos na escola? Quanto a escola gasta por dia? Identificar, quantificar e calcular. E na natureza, como os animais e as plantas usam a água? Identificar. Quanta água cai da chuva? Deixar um copinho volumétrico (ou usar um copo padrão de 250ml, de preferência com a base de mesmo diâmetro que a boca) durante uma chuva do lado de fora da sala e depois medir (usar uma régua para a altura da coluna d'água e depois fazer uma regra de três: se a altura do copo é 15cm = 250ml, os 8cm que encheu = x). Assim, calculamos o quanto de água a chuva fornece... Quanto de água evapora? Deixar o copo de 250ml na sala e observar quanto tempo leva para evaporar tudo. Assim, temos uma estimativa rudimentar de quanto tempo a água fica disponível para ser usada pelos organismos se não infiltrar no solo. A medição pode ser feita por várias turmas para se calcular mais precisamente durante o dia. Quanto de água infiltra? (Cortar, por exemplo, 3 garrafas de refrigerante de 2 litros, aproximadamente a 20cm da boca, e virar essa parte para dentro da garrafa, fazendo um "funil". Colocar bastante algodão na boca de forma a ficar firme.) Pegar areia grossa, húmus (terra escura com folhas etc.) e argila e colocar um tipo em cada "funil" desses. Jogar a mesma quantidade de água com a mesma velocidade ao mesmo tempo e comparar o tempo que a água leva para descer em cada tipo de terra. Qual demorou mais? Em qual tipo a água estará mais tempo disponível para os animais da superfície utilizarem? Como esses animais podem dispor dessa água depois de infiltrada? Refletir sobre a importância das plantas nesse processo e sobre a importância da manutenção dos solos... Propor um debate sobre o uso e as formas de conservação e economia de água. Para o desenvolvimento desta proposta precisamos trabalhar em conjunto com diferentes áreas do conhecimento e articular conceitos e conteúdos de diversas disciplinas. Escolhemos seguir um caminho, o das águas até o seu consumo em nossas casas. Cada grupo poderia desenvolver um dos outros aspectos citados pelos alunos como resposta à primeira pergunta: "A água está presente em nossa vida de que forma?" Lembrar que os produtos finais devem estar ligados ao tema. Outra sugestão Montagem de uma orquestra de sons das águas Perguntar: Quem já prestou atenção nos diversos sons que a água faz? Quem lembra das cenas das águas do programa? As cachoeiras, as chuvas caindo na terra, no telhado, no rio, na árvore, o bater das águas nas pedras, os peixes saltando na água, o pisar na lama encharcada etc. Cada uma destas situações tem um ou mais sons diferentes. Como são estes sons? Propor à turma que pesquise outros sons produzidos pela água e que tragam aqueles possíveis de serem executados em sala de aula. Reunir, por exemplo, várias garrafas de vidro e enchê-las com quantidades diferentes de água (pouca água, muita água, metade da garrafa cheia de água, dois dedos de água etc.). Ao assoprar a garrafa, a água vibra e produz um som. Este som, se bem ajustada a proporção de água no recipiente, pode corresponder a uma nota musical. Dependendo da quantidade de água, de ar e material da garrafa, as notas podem variar. É interessante ampliar esta pesquisa na busca de outros materiais que produzam sons semelhantes aos sons da água, mas sem a presença dela, como o pau de chuva fabricado originalmente pelos índios, por exemplo. Propor que cada aluno construa o seu instrumento. E que eles, em grupo, montem uma orquestra juntando os diversos instrumentos. Pedir para que eles componham uma música a partir dos instrumentos desenvolvidos em sala. A música poderá ter letra. Sugerir que as músicas falem sobre os aspectos estudados sobre a água neste programa. |
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