Como vimos no programa e nos textos anteriores deste capítulo, a Geografia está presente de diversas formas no nosso dia-a-dia, portanto necessita ser observada, percebida, entendida e estudada por diferentes ângulos, com a contribuição de muitos campos de conhecimento. Desta forma, poderemos ter compreensão da multiplicidade e da importância da Geografia em nossas vidas.

Um bom ponto de partida para desenvolver um projeto, uma aula ou uma atividade é elaborar perguntas, buscando incentivar a curiosidade e a necessidade de saber e pesquisar mais. Para isso é necessário formular questões sobre a realidade. Perguntas que permitam o exercício da reflexão, da observação do mundo, do questionamento e formulação de novas perguntas. A relação entre os elementos da Natureza se aprende observando o meio, e esta descoberta permite a construção de novos valores e atitudes.

"Uma capacidade importante a ser desenvolvida nos alunos é a de, ao observar determinado fenômeno, perceber nele relações e fluxos, no espaço e no tempo." ¹

Por exemplo, ao observar as diversas "paisagens" pantaneiras apresentadas no vídeo perguntar-se:

  • Que características geográficas determinam esta diversidade?
  • Como a localização determina o clima?
  • Como o solo e clima determinam as paisagens?
  • De que maneira os ecossistemas vizinhos interferem no bioma Pantanal?
  • Como as características geográficas influenciam a fauna e a flora?
  • Como os seres vivos se adaptam às características geográficas?
  • Como o ser humano participa ou interfere nestes ciclos?

A soma das características geográficas: o solo argiloso e arenoso que não absorve a água; a declividade máxima do terreno não ultrapassa dois metros de altura. A localização e o relevo fazem do Pantanal um corredor entre as serras do planalto Central e a cordilheira dos Andes, canalizando as correntes de ar quentes e frias. Os ventos do sul trazem o frio e os do norte calor e chuvas torrenciais. Essas características tornam o Pantanal um mosaico de biodiversidade.

Correlacionar os assuntos do programa e, assim, perceber quão intricada é essa dinâmica, onde muitos ciclos se relacionam, e as conseqüências do rompimento deste equilíbrio. Refletir sobre as conseqüências disto a longo e curto prazos.

Esta prática tem como objetivo estimular a percepção dos inter-relacionamentos, criando espaços nos quais professores e alunos possam, como indivíduos, aprender através de experiências concretas.

O processo de aprendizagem iniciado por essas perguntas fica mais rico quando pontuado por ações de registro e reflexão sobre o que se observou e descobriu. "Mediados por nossos registros, armazenamos informações da realidade, do objeto em estudo, para poder refleti-lo, pensá-lo e assim aprendê-lo, transformá-lo, construindo o conhecimento antes ignorado." ²

É importante, ao estimular o registro, incentivar a diversidade de formas de expressão e criar espaços para a socialização das descobertas, opiniões e propostas. Existem várias formas de se registrar utilizando diferentes linguagens (desenhos, maquetes, cartazes, redações, poemas, músicas...). As sugestões que levantaremos podem servir como provocadoras de idéias e caminhos, caberá a cada educador, junto com os alunos e a equipe de trabalho, construir e decidir sobre como conduzir projetos com o tema Geografia.

As propostas que se seguem têm como objetivo a concretização do processo de pesquisa, debates e elaboração de atividades, valorizando o fazer coletivo e a participação dos saberes comunitários. Elas ganham um real valor quando incorporadas a um projeto de trabalho que estabeleça metas e objetivos próprios. Na primeira proposta, apontamos algumas etapas possíveis de encadeamento do trabalho seguindo a metodologia apresentada na primeira parte do Caderno do Professor volume 1. O professor deve estar atento às necessidades e prioridades do grupo, podendo e devendo criar outras atividades e caminhos.

¹ PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, MEC/SEF, 1997, vol. Meio Ambiente, p. 59.
² WEFFORT, M. F. "Importância e função do registro escrito, da reflexão". In: Observação, registro e reflexão, instrumentos metodológicos. Espaço Pedagógico, São Paulo, 1996, p. 41. (Série Seminários.)


Etapas após assistir ao programa

Exposição de desenhos das paisagens do Pantanal

Iniciar o trabalho perguntando aos alunos o que eles viram no programa, quais os temas abordados, suas dúvidas e colocações. O professor pode enriquecer o debate com questões tais como: Por que será que no programa se deu tanta importância ao uso de filmadoras e máquinas fotográficas? Como alguém que nunca foi ao Pantanal poderia saber como é a paisagem e a vida local? Que lugares nós conhecemos através da televisão, revistas ou jornais? Qual a importância desses tipos de registro? Que outras formas são utilizadas para registrar o ambiente em que vivemos? Antes de existir a máquina fotográfica e a filmadora havia algum forma de registrar os lugares, os modos de vida? Quando o Brasil foi descoberto, como isso foi registrado? Como os portugueses fizeram para mostrar ao seu rei a terra e o seu povo? Nas grandes expedições, entre os séculos XVI e XIX, sempre havia alguém responsável por registrar as características do lugar que estava sendo desbravado. Graças a esses registros podemos saber como era o Brasil em diversas épocas, suas paisagens, sua fauna, flora, seus habitantes e costumes. Antigamente, o desenhista e o escritor eram os "repórteres", personagens indispensáveis em qualquer viagem ou expedição.

  • Divida a turma em duplas: desenhistas e escritores.


  • Propor que os alunos façam uma viagem no tempo. Pedir que retornem à época em que não havia máquinas fotográficas, gravadores e câmeras à disposição dos viajantes. Imaginar que eles serão os "repórteres" de uma expedição ao Pantanal.

Cada dupla deverá elaborar o roteiro de sua viagem, com detalhes do que aconteceu no caminho e com o que acreditam ser importante registrar.

Onde vocês foram? Como era o lugar onde vocês chegaram? Como era a paisagem? Como era o solo? Como era o relevo? Havia muitos rios? Qual a profundidade destes rios? Como vocês fizeram para atravessá-los? Havia muitas espécies de plantas? Como eram as árvores? A vegetação era a mesma pelo caminho? E o clima? Por quantos lugares diferentes você passou? Quais os animais encontrados? Como era a vida nestes lugares? Como eram as pessoas que moravam lá? Quais eram seus hábitos e costumes?

Os escritores ficarão encarregados de organizar as informações em um texto. Os alunos podem produzir textos de gêneros variados.

Os desenhistas ficarão encarregados de registrar através de desenhos, pinturas, aquarelas ou gravuras cada etapa da viagem. Escolher o tamanho do papel e o material a ser utilizado (lápis de cor, caneta hidrocor, tinta, colagem com elementos da natureza...).

  • Organizar a exposição final do trabalho. O professor junto com o grupo deve escolher o melhor local para a realização da exposição, o dia da inauguração e quem será convidado.

  • Confeccionar os convites.

  • Montar a exposição.

Os textos deverão ser expostos junto aos respectivos desenhos. Lembrando que a função é diversificar as formas de registro e mostrar a complementaridade entre elas.

Para o desenvolvimento desta proposta precisamos trabalhar em conjunto com diferentes áreas do conhecimento e articular conceitos e conteúdos de diversas disciplinas. Escolhemos seguir um caminho: a observação das características geográficas, das formas de registro, as interações entre os seres humanos e o meio. O professor junto com o seu grupo pode escolher desenvolver outros aspectos da temática.


Outra sugestão

Maquetes das paisagens do Pantanal
Perguntar aos alunos: Quem lembra da cena logo no início do programa em que João, o personagem do Almir Sater, comenta com os meninos que "ao contrário do que muita gente pensa, o Pantanal parece uma coisa só, mas de perto podemos ver que existem muitas paisagens diferentes neste mundão de terras alagadas."? A que paisagens ele se refere? Como elas podem ser identificadas? O que é uma lagoa? O que é uma salina? O que é um corixo etc.? Quais são suas características geográficas? As paisagens do Pantanal são iguais o ano todo? O que muda? Por que muda? Qual é o período da chuva? Como a chuva interfere no Pantanal? Quais são as áreas inundadas? Como o ser humano soluciona as dificuldades trazidas pelas cheias? E no período da seca (vazante), o que acontece? O que muda na paisagem? O desenho que os rios fazem é modificado?

Em que o mapeamento de uma região pode ser útil? Como podemos mapear uma região? Existem outras formas de representar o espaço geográfico, além de desenhos? Os arquitetos e engenheiros costumam fazer maquetes de seus projetos (uma casa, um prédio, uma praça, uma cidade...). As maquetes são miniaturas daquilo que eles desejam construir, e permitem visualizar mais amplamente o projeto.

Como podemos construir uma "miniatura" das paisagens do Pantanal? Que tipo de material podemos usar? Como usar sucata ou materiais reciclados? Como representar as diferentes alturas? O leito de um rio, suas margens? As regiões próximas? E a vegetação? Usamos o mesmo material? O professor pode dividir a turma em grupos. Cada grupo escolhe uma das paisagens apresentadas no vídeo para construir uma maquete. O processo de construção: a escolha dos materiais, a forma de representar a vegetação e as características geográficas de cada paisagem vão dar oportunidade para o professor e o aluno pesquisarem mais sobre o Pantanal. O desafio de representar um espaço em outra escala, noutras dimensões, irá desencadear muitos questionamentos e esta é uma ótima oportunidade para refletir e descobrir mais sobre a geografia do Pantanal.

Quando as maquetes estiverem prontas, elas poderão ser apresentadas para as outras turmas, cada equipe pode escolher um ou mais alunos para ficar junto à sua miniatura para esclarecer as dúvidas e apresentar a paisagem para os visitantes, mais ou menos como uma feira de ciências.