Quando recebemos um material novo, um turbilhão de idéias vem à nossa cabeça. São novos desafios, novas dificuldades e, principalmente, muitas dúvidas. Como estruturar uma proposta de trabalho? Quais os objetivos dessa proposta? Será que vou dar conta disso tudo sozinho? Como integrar esse projeto com os outros que já realizo?

Inicialmente, é importante contarmos com o máximo de ajuda possível, em grupo, cada um contribuindo com suas experiências e saberes. Mas como formar uma equipe?

Antes de tudo, precisamos pensar como apresentar a proposta. Com que materiais podemos contar? Que atividades desenvolver na escola, no bairro, com a comunidade? É claro que cada realidade pede uma solução própria, mas uma apresentação mais informal e dinâmica pode ajudar!

Tais procedimentos, aliados à prática interdisciplinar, ao uso de materiais didáticos diversificados (livros, vídeos, jogos etc.), ao estímulo à participação e à utilização de metodologia de projetos, vêm sendo utilizados por educadores para o trabalho com a temática ambiental em escolas, associações de moradores, comunidades e ONGs.

Apresentamos, a seguir, algumas dinâmicas desenvolvidas pela equipe de implementação pedagógica da Fundação Roberto Marinho. Elas têm como principal objetivo sensibilizar educadores e alunos no início de um trabalho com a temática ambiental. É importante salientar que as atividades devem adequar-se às realidades de cada grupo, cabendo a estes desenvolver seus objetivos de acordo com as demandas específicas.


Iniciando o trabalho
A apresentação de novos projetos em escolas muitas vezes está associada à realização de palestras ou de uma exposição formal. Nosso objetivo é propor um encontro no qual a prática e a teoria caminhem juntas. As dinâmicas procuram estimular o grupo a refletir sobre Educação Ambiental e a elaborar e perceber suas próprias questões, dúvidas e interesses em relação ao tema.

Devemos iniciar o trabalho estimulando a participação do grupo com pequenos, porém importantes detalhes: a escolha de um local agradável, o cuidado com a elaboração de materiais complementares, o desenvolvimento de atividades lúdicas vinculadas a conteúdos específicos, entre outros.

Colocar as cadeiras em círculo para que todos possam se olhar, escolher textos e dinâmicas que busquem valorizar o que o grupo tem de melhor e estar aberto para ouvir sugestões, são outras ações simples que podem facilitar a integração e a sensibilização do grupo para a proposta de trabalho.

Buscamos, assim, nessas primeiras atividades, construir um caminho que parte da percepção individual para a coletiva, permitindo a reflexão sobre conceitos e atitudes.


Salientamos que a duração prevista e assinalada em cada etapa do trabalho envolve grupos de, no máximo, 30 participantes.
 

Atividade 1 - Espreguiçar

Objetivos
Preparar o corpo e a mente para o trabalho a ser desenvolvido. É uma atividade que serve de "quebra-gelo", pois ajuda a eliminar tensões. Visa também à percepção individual, do corpo e do espaço.

Dinâmica
Inicialmente, trabalhamos com todos formando um círculo, de pé, sem bolsas ou cadernos. Convidamos ainda, a quem se sentir à vontade, que fique de pés descalços. O orientador da atividade pede aos participantes que estiquem os braços, mãos, pernas, pés, pescoço, lentamente, uma parte de cada vez.

Percebendo e dando atenção às partes onde estamos com dor, e aquelas que não costumamos exercitar. Durante a atividade, podemos começar a aquecer a voz, emitindo, baixinho, sons graves e agudos. É importante respeitar o ritmo de cada um e buscar não fazer movimentos bruscos, nem constrangedores. A atividade deve ser prazerosa. Depois dessa parte, que costuma durar entre cinco e dez minutos, ainda todos de pé, passamos à segunda dinâmica.


Atividade 2 - Espelho

Objetivos
Permitir o desenvolvimento da noção do espaço individual e a relação com o espaço do outro. Estimular o contato harmonioso entre os participantes.

Dinâmica
O orientador pede aos participantes que formem duplas para que um seja o "espelho" do outro. As duplas devem escolher quem O orientador pede para os participantes formarem duplas, em que uma pessoa representará o "espelho" da outra. As duplas devem escolher quem representará o "espelho" e quem será a "pessoa". O "espelho" deve repetir todos os movimentos da "pessoa". Por exemplo, se a "pessoa" mover a mão direita, o "espelho" move a mão esquerda, e por aí vai.

O orientador pode pedir para os participantes moverem primeiro os braços, depois as pernas etc. Depois o orientador pede para as duplas trocarem os papéis, ou seja, quem era "pessoa" passa a ser "espelho" e vice- versa. O orientador pode pedir para as "pessoas" simularem que estão escovando os dentes, ou se vestindo, o que favorece o clima de descontração. As "pessoas" devem fazer movimentos lentos e possíveis, respeitando também as limitações do "espelho". Ao final, o orientador pode perguntar quem se sentiu mais à vontade representando cada papel e o por quê. Isso permite aos participantes se conhecerem melhor. A dinâmica costuma ser feita de cinco a dez minutos, logo passando à próxima atividade.

Uma dica
Existem várias dinâmicas para a formação de duplas que proporcionam encontros inesperados, fugindo da tendência que temos de procurar trabalhar com uma pessoa já conhecida.
 

Atividade 3 - Escultor/Escultura

Objetivos
Avaliar os conhecimentos da turma sobre o ambiente pantaneiro. Permitir o entrosamento entre os participantes. Mostrar a relação do indivíduo com a coletividade e com o mundo que o cerca.

Dinâmica
A dinâmica trabalha com o que cada um sabe sobre o Pantanal (elementos da natureza e culturais).

O orientador pede para que se mantenham as duplas da atividade anterior e divide a turma em dois grupos. Um grupo realiza a tarefa e o outro fica como observador. Nas duplas, uma pessoa representará uma "massa de modelar" e a outra um "escultor". O orientador pede para que os "escultores" usem a "massa de modelar" como quiserem, representando um elemento do Pantanal. O "escultor" decide o que gostaria de esculpir e a "massa" deve permitir que seja esculpida, ficando na posição escolhida. Por exemplo, se quero esculpir uma arara-azul, eu poderia colocar a "massa" com as costas levemente curvadas e as mãos em frente ao rosto representando o bico. A "massa" não deve se mexer depois de pronta. Quando todos tiverem terminado, o orientador pede para que os "escultores" e o resto do grupo observe as "esculturas" e tentem adivinhar o que foi representado. Depois de todas as esculturas serem vistas, voltam a formar as duplas e os papéis se invertem: o "escultor" passa a ser "massa" e vice-versa. O processo se repete como anteriormente. O orientador propõe que todos formem uma escultura única, cada um representando seu papel e interagindo com os outros (por exemplo, a arara, a árvore etc.). Como interagem? Depois de todos posicionados, introduzir sons e movimentos próprios de cada elemento. Após algum tempo, o orientador pede para que esse grupo volte a ocupar seu lugar no círculo, e se dirige para a outra metade do grupo que estava observando.

A primeira metade passa agora a observar a atividade. Nesse momento, o segundo grupo já deve estar pensando que elementos representarão do Pantanal. No entanto, o orientador pede para que o grupo represente uma cidade. Pede para uma pessoa representar algum elemento da cidade, com sons e movimento. Gradualmente, vai pedindo para que cada um do grupo represente algo na "grande escultura". Algum tempo depois, o orientador propõe que as pessoas voltem ao círculo. Costumamos refletir com o grupo em cima de algumas perguntas: Como as pessoas que representaram o Pantanal se sentiram? E as que representaram a cidade? Como eram os sons do Pantanal? E os da cidade? E quanto aos movimentos, havia diferenças? Quais? Será que podemos viver sem um ou outro? Tempo previsto para a atividade: 20 a 30 minutos.


Atividade 4 - Apresentação dos participantes/teia

Objetivos
Apresentar os participantes, estimular a criatividade e observar o conhecimento dos envolvidos quanto ao ambiente onde estão inseridos. Permitir a discussão sobre os conceitos: meio ambiente, extinção de espécies, cadeia alimentar etc.

Dinâmica
Esta atividade, a teia, é bastante conhecida, nesse caso aplicada com uma reflexão diferente: uma ponta do rolo de barbante fica amarrada ao dedo do orientador, que pede aos participantes que digam o primeiro nome e criem o sobrenome com algum elemento do Pantanal. Por exemplo, "Maria Arara-azul". Em seguida, joga o barbante para uma outra pessoa, que também se apresenta, até que todos, com o barbante amarrado ao dedo, tenham se apresentado e formado uma teia. Algumas reflexões possíveis: O orientador pede para que os "elementos" que estão em risco de extinção dêem um passo para trás. Ao fazê-lo, todos sentem o barbante esticando e apertando o dedo. A relação entre os componentes desse ecossistema foi alterada, e todos os elementos interligados sentem isso. Depois, o orientador pede para que estes soltem o barbante (representando a extinção dessas espécies). O que acontece com a teia? Ao perder a tensão original, as relações perdem força, sendo necessário um novo arranjo de espécies para restabelecê-las ou que um elemento cumpra com mais de uma função. O orientador pede ao grupo que funcione como esse ecossistema, no qual cada um tem seu papel e todos são importantes no processo. Enfatizar que não podemos excluir ninguém e que o sucesso do projeto só virá com o trabalho em grupo. Tempo previsto para a atividade: 30 minutos.

Após esse momento, em que se buscou deixar todos mais à vontade e já se iniciaram várias discussões referentes ao tema do projeto, o orientador pede para os participantes retornarem aos seus lugares para assistir ao vídeo de Apresentação do projeto.