Assim como a sociedade vai se modificando de acordo com as influências econômicas, sociais e culturais, o meio ambiente reage às variadas influências a que está sujeito.

Toda as ações feitas sobre o meio ambiente geram alterações. Estas alterações são o que chamamos de impacto ambiental.

Impacto é a alteração do meio ambiente como um todo, ou em alguns de seus componentes, desencadeada por determinada ação ou atividade.

Mas será que um impacto é ruim para todos que fazem parte do meio ambiente? Eis a questão. As alterações precisam ser estudadas e quantificadas, pois apresentam variações relativas, podendo ser grandes ou pequenas. Mas que parâmetros de julgamento usar nestas questões?


A importância de estudar os impactos ambientais
Estudando os impactos, podemos entender como eles irão agir sobre o meio ambiente e, assim, avaliar e nos prevenir de suas conseqüências. Os estudos de impacto, feitos por profissionais especializados, servem de base para que a sociedade possa decidir pela realização ou não de determinado empreendimento.

Definição de impacto
"Qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetem: (I) a saúde, a segurança e o bem-estar da população; (II) as atividades sociais e econômicas; (III) a biota; (IV) as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; (V) a qualidade dos recursos ambientais." (Resolução do CONAMA, n.º 001, de 23/01/86)

Pode-se ainda questionar se todo o impacto é causado por uma ação humana. Se cai um raio no meio da plantação e pega fogo, pode ser considerado impacto? Sim, e neste caso não é causado diretamente por uma ação do homem.

Estudos ambientais: a legislação e os impactos ambientais
A preocupação com os impactos sobre o meio ambiente fez com que os governos de muitos países estabelecessem regulamentações, desenvolvessem leis e tomassem medidas para criar normas com o objetivo de nortear as ações sobre o meio ambiente e minimizar o efeito destas ações.

Antes de colocar em prática um empreendimento (público ou privado) é preciso estudar o meio em que ele se dará, incluindo todos os seus aspectos físicos, biológicos, sociais e econômicos, e como este empreendimento irá agir sobre ele. Quando um empreendedor planeja sua ação (por exemplo, a construção de uma barragem, uma estrada, um aeroporto) deve providenciar, por exigência do IBAMA e dos órgãos estaduais de meio ambiente, um Estudo de Impacto Ambiental, realizado por empresas especializadas.

Estes estudos devem definir a área geográfica a ser afetada e sugerir medidas ou ações que reduzam os efeitos das ações negativas.


O EIA (Estudo de Impacto Ambiental) e o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) são mecanismos que a sociedade, através do Estado, têm para se proteger. Estes estudos e relatórios, além da aprovação dos órgãos ambientais, são também apresentados e discutidos em Audiências Públicas.
 

Impactos ambientais no Pantanal
Quando falamos de impactos ambientais, em geral pensamos em suas conseqüências negativas, esquecendo que também podem causar algumas positivas. Os jornais e revistas, o rádio e a tevê dão destaque às matérias que apontam problemas. Também não podemos esquecer que os impactos ambientais são muito mais freqüentes do que imaginamos. Por exemplo, roçar uma área numa propriedade rural ou de periferia para fazer um criadouro de animais ou uma horta é uma forma de impactar o ambiente.

É claro que não podemos comparar com grandes obras e outras interferências, mas num caso como esse a alteração ambiental também existe. E o que fazer? Será que devemos simplesmente abandonar a idéia da horta para evitar o impacto, ou agir para que as conseqüências sejam o menos nocivas possível? Que tipo de insumos usar para não poluir o solo ou os lençóis freáticos? Como realizar os empreendimentos sem alterar tanto o ambiente? Será que poderemos agregar a eles alguns elementos positivos?


E os impactos no Pantanal?

Ações que causam grandes impactos ambientais
  • A ocupação urbana das bacias hidrográficas ao redor do Pantanal e os garimpos de ouro e diamante, causando vários níveis de poluição ambiental.
  • Agricultura indiscriminada e plantio de soja no Cerrado, provocando erosão do solo, além de contaminá-lo com o uso excessivo de agrotóxicos. O resultado disso é o assoreamento dos rios.
  • A poluição hídrica. Segundo o Projeto de Monitoramento da Qualidade da Água (MQA da FEEMA), 71 indústrias são potencialmente poluidoras na bacia do rio Cuiabá, sendo que 30,9% são responsáveis por toda a carga de origem industrial lançada principalmente nos rios Cuiabá e Coxipó. Os córregos da Prainha, Gambá, Mané Pinto, Barbado e o rio Coxipó recebem diretamente em seus leitos, e sem qualquer tratamento, a carga de esgoto da Grande Cuiabá (Cuiabá e Várzea Grande). Nas praias de Santo Antonio do Leverger (a poucos quilômetros de Cuiabá) o alto índice de coliformes fecais registrado torna impróprio o banho de moradores e turistas em suas águas.
  • Poluição urbana e poluição de usinas de cana-de-açúcar, frigoríficos e curtumes.
  • Queimadas. Muitos fazendeiros colocam fogo nas pastagens. Esta é uma prática secular e o Pantanal é o campeão de queimadas em todo o estado do Mato- Grosso do Sul. No estado de Tocantins há um programa de governo que regulamenta as queimadas em determinadas situações.
  • Pesca predatória, acarretando a redução no número de peixes, podendo causar desequilíbrio ecológico. A pesca é um grande atrativo turístico da região e pode ser praticada de forma não predatória, seguindo os regulamentos existentes.
  • Turismo desorganizado. A falta de controle quanto ao número de turistas que visitam as diversas regiões, gera sérios problemas. O lixo deixado, principalmente pelas embarcações, é o pior deles.
  • Caça de animais em extinção. Mesmo proibida, a caça continua ocorrendo. Os mecanismos de fiscalização não dão conta das investidas de caçadores e pescadores profissionais. O caititu, a capivara, o queixada, a lontra, a ariranha e a arara-azul são dos mais visados, além de várias espécies de peixes.