O ser humano,
  • ao interagir com os elementos físicos e biológicos, cria um espaço sociocultural;


  • ao utilizar os elementos do seu ambiente, provoca modificações que se transformam com o passar do tempo (história);


  • ao transformar o ambiente, muda também sua própria visão a respeito da natureza e do meio em que vive (cultura e economia).
Todos nós somos influenciados pelo local onde vivemos - clima, cultura, história -, tudo influi em nossa maneira de ser e de nos relacionarmos com o meio. Por isso é importante conhecer e valorizar a nossa origem e a nossa história.

"A ecologia humana estuda a distribuição territorial e a organização das comunidades em relação ao meio em que vivem (...)" (Dicionário demográfico das Nações Unidas, 1959)


Como se deu a ocupação do homem no Pantanal
A ocupação do Pantanal pelo homem aconteceu de diversas formas e vem se modificando até hoje.

A população indígena foi a primeira a ocupar o Pantanal. Depois vieram os bandeirantes, com um objetivo: a captura de índios para suprir a mão-de-obra nas fazendas implantadas no planalto de Piratininga, hoje São Paulo.

Chegando em Coxipó, os bandeirantes encontram ouro e se fixam por lá. Logo a notícia se espalha. De toda parte do Brasil, chegam garimpeiros. Foi, então, em 1727, fundada a Vila Real de Bom Jesus do Cuiabá. O ciclo do ouro estimulou o povoamento do Pantanal e se estendeu por mais de cem anos. Jazidas foram encontradas em Vila Bela, Poconé e Livramento.

Em seguida, instala-se o ciclo da cana-de-açúcar. Os primeiros 16 engenhos implantados na região possuíam ao todo mais de 3.000 escravos na Chapada e em Cuiabá. Mato Grosso chegou a ser o segundo maior produtor de açúcar do Brasil, superado apenas pelo Nordeste. As usinas de açúcar do Pantanal eram as mais modernas do país.

Quando a indústria do açúcar entrou em decadência, foi aos poucos substituída pela pecuária. O rebanho bovino adaptou- se às pastagens naturais da região. As fazendas iniciaram o processo de industrialização da carne e preparo do couro. Deu-se início ao ciclo das charqueadas (indústria pastoril que se desenvolveu para abastecer as grandes usinas de Açúcar, produzindo carne seca e outros derivados, nas entressafras da cana). Este período durou quase um século - estendeu- se de 1880 até por volta de 1970.


Popularizada no fim do século XX, a palavra ecologia foi criada em 1866 pelo naturalista alemão Ernst Haecke e quer dizer: o estudo da nossa casa.
 

Os rios como estrada
A hidrovia Paraguai - Paraná - Prata tem um importante papel na vida da população local. Serviu de via de acesso para os bandeirantes de leste para oeste (Tietê - Paraná - Paraguai) e para os espanhóis de sul para norte (Prata - Paraná - Paraguai). O porto de Corumbá chegou a ser considerado um dos mais importantes da América do Sul.

A partir da segunda metade dos anos 1970 vários acontecimentos despertaram o interesse de grandes empresas de mineração e transporte hidroviário pelo Centro-Oeste do Brasil: a grande produção de soja no Cerrado; a reativação da produção mineral (ferro, manganês) nas minas do Urucum (Brasil) e Mutum (Bolívia); a criação do Mercosul e a criação do gasoduto Bolívia - Brasil. Observamos que, ao longo da História, diferentes relações foram desenvolvidas entre o ser humano e o meio pantaneiro, estabelecidas pelos bandeirantes, garimpeiros, usineiros, pecuaristas etc.

Cada um destes ciclos econômicos trouxe novas realidades socioculturais para a região. A experiência com a cana-de-açúcar e seus derivados, assim como o gado bovino, marcam ainda hoje os costumes das pessoas que vivem no Pantanal. O somatório de todos estes processos reflete-se até hoje na cultura pantaneira.