Captadas e reconhecidas pelo nosso sistema auditivo, as ondas sonoras são enviadas ao cérebro para serem identificadas, transformando-se em informações diversas.

Por maior que seja a sensibilidade de algumas pessoas em relação aos sons, às vezes é preciso conhecer sua ausência, ou seja, o silêncio, para darmos conta de tudo o que a audição proporciona.

Som e meio ambiente
O mesmo afirmado pelo provérbio popular "tudo o que é demais não presta" pode ser aplicado ao universo dos sons. O excesso de ruído, que caracteriza a poluição sonora, é extremamente prejudicial à saúde e ao meio ambiente: além de causar doenças, estresse e danos genéticos às espécies, afugenta os animais e provoca sérios desequilíbrios ecológicos.

Como o som evolui em nossos ouvidos



As ondas sonoras entram pela orelha (1), passam pelo canal auditivo e esbarram no tímpano (2), uma membrana muito fina que amortece a intensidade das vibrações. O som passa para a orelha média, onde encontra os três menores ossos do nosso corpo: martelo (3), bigorna (4) e estribo (5). As vibrações chegam ao martelo, que bate na bigorna e vai para o estribo. A orelha interna (6) também contribui de forma significativa com o processo, à medida que transforma as vibrações do estribo em impulsos nervosos, que são enviados ao cérebro (7).

o  Oficina sonora

As atividades apresentadas a seguir têm por objetivo fazer com que os alunos explorem seu próprio aparelho auditivo e descubram algumas particularidades dos sons: como um som vira informação em nosso cérebro? Como funciona o tímpano? Que materiais nos ajudam a enviar e receber sons?

Atividades
  1. Classificando os sons
    Irá avaliar o conhecimento dos alunos quanto às classificações dos sons. Eles devem identificar os sons que estiverem ouvindo e classificá-los em naturais, humanos e tecnológicos. O ideal é que não ultrapassem 2 minutos.


  2. Descobrindo onde está
    Este exercício testará a percepção espacial desencadeada pelos sons. A partir de uma grande roda, levar uma pessoa de olhos fechados para um outro ambiente e pedir que descubra onde está.


  3. Testando o aparelho auditivo
    Peça aos alunos que façam um funil de papel ou usem uma garrafa de refrigerante cortada e coloquem o lado mais estreito na entrada do ouvido.

    - Questione sobre a relação disso com o gesto de colocar a mão em formato de concha na orelha;
    - Proponha-os a encostar a orelha no chão ou atrás da porta e ouvir;
    - Estimule-os a responder se o som se propaga na água;
    - Peça para que tentem ouvir um relógio de pulso batendo através de uma bexiga. Faça a mesma experiência com a bola cheia de água.


  4. Divertindo-se com os sons
    Separe a turma em duplas e proponha as seguintes atividades:

    - Fazer um "telefone";
    - Ficar atrás de uma parede e tentar se comunicar sonoramente com o outro;
    - Usar um estetoscópio artesanal para tentar ouvir um relógio de pulso batendo;
    - Cobrir os ouvidos com as mãos ou algodão e verificar qual deles funciona melhor.

    Passo a passo para criar um telefone:
    1. Furar dois copos de plástico.
    2. Enfiar um barbante nos copos.
    3. Prender cada um com um botão.

    Passo a passo para montar um estetoscópio:
    1. Usar dois funis (ou duas garrafas de plástico cortadas).
    2. E uma mangueira fina.
    3. Prender, com um barbante, um funil em cada uma das extremidades.


Ecos e ressonâncias
A audição dos animais
Os sistemas auditivos dos animais variam muito de acordo com as espécies: enquanto os cães são capazes de ouvir sons imperceptíveis aos seres humanos, os jacarés, que são muito sensíveis às vibrações do ambiente, escutam mal.

Veja abaixo como funciona a audição de outros animais:

Sapos e rãs: têm o sistema auditivo bem desenvolvido, principalmente porque aprenderam a usar o seu coaxar característico para se localizarem em época de acasalamento e se distinguirem de membros de outras espécies. O tímpano desses animais fica na superfície do corpo sem orelhas e recebe os estímulos do ambiente com facilidade. O coaxar do sapo se dá através de uma bolsa de ressonância que infla quando o ar passa pelas cordas vocais. A pele da garganta serve de câmara ressonante que se estira até quase arrebentar, dependendo da intensidade deste coaxar.

Morcegos: utilizam o eco das ondas de alta freqüência (ultra-som) para se orientarem durante o vôo, capturarem a presa e se comunicarem. A diferença da chegada do som em cada um dos ouvidos revela a direção e o sentido do objeto que o emite. Conhecido como eco-localização ou localização bissonar, esse sistema assemelha-se muito ao processo de audição/orientação dos golfinhos e baleias. Devido à sua complexidade, os morcegos não necessitam de muita luz para enxergarem.

Peixes: a audição é certamente o seu sentido mais aguçado. Os peixes ouvem aproximadamente dez vezes mais que o animal terrestre. A água é um ótimo meio para a condução do som. Seu ouvido e ramificações nervosas ficam nas linhas laterais espalhadas ao longo do seu corpo, aumentando a sensibilidade em relação ao espaço. Dessa forma, são capazes de perceber sutis variações da água, identificando as épocas de cheia ou seca não só pelo volume d'água, mas também pela aproximação de temporais ou trovões.

Aves: sua audição extremamente complexa e desenvolvida auxilia na caça e no reconhecimento de outros animais da mesma espécie. As aves possuem uma abertura auditiva atrás de cada olho e um curto canal externo em cada lado da cabeça.