A importância ecológica das espécies, muitas vezes, não é devidamente conhecida e as espécies mais populares são divulgadas de modo inadequado.

A tabela abaixo lista alguns animais presentes no Pantanal, que atuam neste ecossistema promovendo o equilíbrio ambiental:


Animal Hábitos Importância ecológica
Anta Muito frutos do Cerrado possuem grandes sementes, que passam intactas pelo trato digestivo das antas. Estas sementes são depositadas juntamente com grandes quantidades de estrume, em locais muito afastados das plantas produtoras onde os animais consumiram os frutos. São eficazes agentes dispersores, por exemplo do jatobá.
As sementes já veêm com adubo.
Morcego Frugívoros sem sua maioria, os morcegos alimentam-se de grande variedade de frutos e frutas. Há espécies potencialmente dispersoras de sementes, polinizadoras, e de importância médico-sanitária.
Anu Aparecem em áreas secundárias de pastagens e plantações. Alimentam-se de lagartos, pequenas cobras, sapos, besouros, formigas, baratas e até pequenos frutos. Os anus nunca ocorrem dentro de florestas primárias. Sua presença em maior ou menor número pode indicar o grau de alteração de habitats naturais. Quanto mais anus, maior o grau de alteração do ambiente.
Beija-flor Alimentam-se do néctar de centenas de espécies de árvores, arbustos, orquídeas, bromélias e antúrios. Durante a noite dormem em arbustos à beira dos rios, podendo ser comidos por cobras e corujas. Estas aves, visitando flores de diferentes árvores de uma mesma espécie, contribuem para que o pólen de uma flor, preso em seu bico, testa ou garganta, seja depositado no estiga de uma flor feminina de outra planta.
Este mecanismo garante a fecundação e reprodução de muitas espécies vegetais, contribuindo para a redução da taxa de extinção local de espécies, ao garantirem o entrecruzamento genético entre plantas de uma mesma população.
Biguá Os biguás são aves predadoras de peixes, ocupando todo o topo da cadeia alimentar dos ambientes aquáticos onde vivem.
Normalmente, nidificam em colônias associadas com as das garças e cabeças-secas.
Como necessitam de águas limpas para se alimentar são considerados indicadores biológicos de poluição.
O acompanhamento de suas populações é uma forma de monitorar a alteração da qualidade de ambientes aquáticos em conseqüência de atividades de degradação ambiental, como desmatamentos e uso de agrotóxicos.
Jacanã Essas aves ocorrem praticamente em todo o Pantanal e podem ser observadas caminhando sobre as plantas aquáticas nas margens de corixos, baías e rios. São dependentes da vegetação flutuante para sua reprodução, pois não constroem ninhos, depositam diretamente seus ovos sobre as folhas das plantas aquáticas. Podem contribuir para manter as populações de insetos em baixas densidades, pois são eficientes predadoras das larvas que vivem nas raíxes das plantas aquáticas.
Carão Ave aqüícola que come centenas de caramujos por dia, ocorrendo em qualquer lugar onde haja águas rasas. Elimina várias espécies de caramujos que podem ser vetores de doenças tropicais, como as esquistossomose, e serve de alimento para jacarés, sucuris e gaviões, participando da cadeia alimentar.
Coruja São aves predominantemente noturnas e predadoras de ratos, morcegos, pequenos pássaros, lagartos, grandes insetos e sapos. As espécies que são insetívoras ingerem uma grande quantidade de insetos por dia, podendo contribuir indiretamente para a redução do impacto destes nas vegetações naturais e monoculturas produzidas pelo homem.
Garça-vaqueira
Garça-real e
Maria-faceira
Estas espécies de garça são insetívoras e normalmente encontradas nos ambientes aquáticos no Pantanal. Podem contribuir indiretamente para a manutenção de pastagens, por manterem em baixas densidades as populações de insetos consideradas pragas para a agricultura.
Inhambu e Mutum Aves terrestres que se alimentam de insetos, frutos e sementes pequenas. Como as sementes passam intactas pelo intestino, sendo eliminadas inteiras no solo, estas aves tornam-se importantes dispersoras de sementes. Indiretamente, contribuem para a manutenção da regeneração natural das florestas, bem como para a recuperação de áreas degradadas que foram desmatadas.
Pica-pau Cavam buracos de diferentes tamanhos nas árvores para construção de seus ninhos e sua dieta é constituída principalmente de insetos como formigas e cupins. Os ocos cavados pelos pica-paus são usados por dezenas de outras espécies de aves para a reprodução, servindo também de abrigos para mamíferos pequenos, como o caxinguelê e os sagüis, contribuindo para a manutenção destas espécies.
Taimã Concentra sua dieta em peixes pequenos e alevinos, provavelmente doentes, porque esses nadam mais devagar, portanto são facilmente ingeridos. Atuam como um importante regulador de populações de peixes, pois contribui para reduzir a propagação de doenças nestas populações.
Tucano e Araçari Aves frugívoras, se alimentam somente da polpa de frutos de muitas plantas e regurgitam as sementes. Estão entre os mais importantes dispersores de sementes na floresta, contribuindo para a manutenção da estrutura das comunidades de plantas na floresta.
Tuiuiú Aves aqüícolas, comem peixes mortos e até partes de animais atropelados nas estradas pantaneiras. Colaboram como controladores da propagação de doenças de animais mortos, podendo ser considerados também predadores do topo da cadeia alimentar, controlando populações de peixes e outros vertebrados e invertebrados.